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São Paulo

Desabamento no Brás: sobrecarga de tecidos é apontada como possível causa do colapso

Prédio de quatro andares desabou na noite de sexta-feira (6/11), na Rua Maria Joaquina, com 35 pessoas dentro; 27 ficaram feridas e ninguém morreu, segundo os Bombeiros.

Desabamento no Brás: sobreviventes citam toneladas de tecidos em 4 andaresFoto: Corpo de Bombeiros/Reprodução
Raphael Nogueira Felix
7 de novembro de 202602:50
Atualizado há 10 horas às 05:55

O desabamento de um edifício de quatro andares na Rua Maria Joaquina, no Brás, região central de São Paulo, na noite da última sexta-feira (6/11), deixou 27 pessoas feridas, de acordo com o Corpo de Bombeiros. No momento do colapso, havia 35 pessoas no imóvel. Até o momento, não há registro de mortes.

As causas do acidente ainda serão investigadas pelas autoridades, mas uma hipótese ganhou força nas primeiras horas após a ocorrência: o excesso de peso provocado pelo armazenamento de grande quantidade de rolos de tecido nos quatro pavimentos. O próprio prefeito Ricardo Nunes (MDB) mencionou publicamente a suspeita de sobrecarga.

Trabalhadores que estavam no prédio relataram que a estrutura não comportaria o volume de mercadorias depositado. Um deles, identificado como Edmilson, afirmou que a situação se repete em outros imóveis da região. «Tem vários prédios que a estrutura não é preparada para esse tipo de coisa», declarou, referindo-se ao trabalho de carga e descarga que executa no local há cerca de dois anos.

Outro trabalhador ouvido pela reportagem, Luiz Carlos, foi direto ao apontar a sobrecarga como provável causa do desabamento. «Eles acham que tecido não pesa e vão enfiando mais e mais. Tinha rolos de tecidos em todos os lugares, nos quatro andares», contou. A reportagem também conversou com outros trabalhadores que pediram para não ser identificados e confirmaram a versão sobre o peso excessivo.

Segundo relatos, a rotina de trabalho nesses galpões começa com o anúncio das vagas em grupos de WhatsApp. «O pessoal manda o nome da rua, a gente vai até a rua. Chega na rua, fala também com o líder para a gente trabalhar e descarregar caminhão», explicou um dos trabalhadores. O pagamento varia de 60 a 100 reais por carregamento.

Após o descarregamento, os rolos são acomodados dentro dos imóveis — atividade que, segundo os entrevistados, concentra o peso nas estruturas. «É onde fica o peso do prédio, que nem estava ali agora», completou um deles. A prefeitura e o Corpo de Bombeiros não confirmaram oficialmente a causa do desabamento até a conclusão desta reportagem.

Em pronunciamento nas redes sociais, o prefeito Ricardo Nunes lamentou o ocorrido e destacou o empenho das equipes de resgate. «A grande suspeita até o momento, a se confirmar ainda, é de excesso de peso. Muitos caminhões chegaram nesse local para armazenar tecido, e o excesso de peso pode ter ocasionado o desmoronamento», afirmou.

As vítimas foram retiradas dos escombros e encaminhadas para atendimento médico. O Corpo de Bombeiros informou que 27 pessoas ficaram feridas e receberam socorro no local ou em unidades de saúde da região. As autoridades seguem no local para concluir a perícia e avaliar a segurança de imóveis vizinhos.

A gestão municipal e o governo do estado se manifestaram sobre o desabamento e prometeram apurar as responsabilidades. A prefeitura informou que equipes da Defesa Civil e de assistência social prestam apoio às famílias afetadas. Ainda não há prazo para a conclusão das investigações sobre as causas do colapso.

Fonte de referência: São Paulo – Metrópoles — https://metropoles.com/sao-paulo/desabamento-no-bras-sobreviventes-citam-toneladas-de-tecidos-em-4-andares

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